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10 dicas imprescindíveis que vão te ajudar a aproveitar ao máximo essa oportunidade de exposição na mídia e a evitar constrangimentos com os jornalistas.

Guia básico para entrevistados de primeira viagem

10 dicas imprescindíveis que vão te ajudar a aproveitar ao máximo essa oportunidade de exposição na mídia e a evitar constrangimentos com os jornalistas.

Você é considerado especialista em sua área de atuação, é respeitado na academia e recebeu muitos feedbacks positivos sobre sua tese ou artigo publicado. Parabéns, você é referência em seu segmento e, uma hora ou outra, algum veículo jornalístico deverá te procurar para participar de uma matéria ou reportagem sobre assuntos que lhes dizem respeito.

 

Vamos fazer uma pausa aqui. Decidi escrever este post por dois motivos: o primeiro é que vejo muitos especialistas que travam na hora de participar de entrevistas e acabam perdendo uma oportunidade de ouro para mostrar seu trabalho. O segundo é que, como jornalista, passei por uma situação no mínimo curiosa dia desses.

 

Estou escrevendo para uma revista de gastronomia e, para uma das matérias, cheguei a uma psicóloga que tinha um trabalho incrível publicado sobre a relação entre comida e afetividade. Era exatamente o que eu gostaria de explorar no meu texto.

 

Mandei um e-mail para a profissional convidando-a para uma entrevista. Depois de alguns e-mails explicando o foco da minha matéria, ela concordou em responder as questões por escrito. Ela passou a fazer exigências como querer revisar a matéria antes de ser publicada, que todas as suas respostas fossem publicadas como citação, que fosse publicado o ano em que as perguntas foram feitas, que todo o conteúdo fosse atribuído a ela com bibliografia e outras coisas descabidas.

 

Percebi que a especialista não sabia como funcionava o trabalho jornalístico e que, provavelmente, estava confundindo sua participação como entrevistada com um trabalho acadêmico. Educadamente, expliquei que não era assim que as coisas funcionavam e que as informações que ela me passou seriam utilizadas para compor o texto com linguagem adequada e utilização de poucas frases entre aspas. Ela se negou a participar da matéria, já que não seria do jeito que ela exigia.

 

Paciência.

 

Então, se você foi convidado a ser uma fonte pela primeira vez, vamos lá. Aqui vão 10 informações importantes que você precisa saber para não meter os pés pelas mãos na hora de ser entrevistado por algum veículo.

 

 

1) Você nunca deve pagar por uma entrevista

Quando o jornalista te procura para participar de uma matéria como entrevistado, isso se chama comunicação espontânea. Ou seja, diferente da publicidade, você não deverá pagar pelo espaço no veículo onde seu nome e seu trabalho serão citados. O jornalista chegou até você porque acredita que você tem muitas informações importantes que vão ajuda-lo a compor seu conteúdo. Casos de publieditoriais são diferentes, mas podemos falar sobre isso em outro post.

 

2) Você nunca deve cobrar por uma entrevista

Jornalismo não lida com fluxo de caixa entre fontes. Qualquer veículo que pague por informação (seja ela partida de um especialista, de uma testemunha, empresa, etc) está violando seriamente a ética do jornalismo.

3) Suas respostas não serão usadas na íntegra

Em caso onde você é consultado como fonte para uma matéria abrangente sobre determinado assunto, suas respostas e informações serão adaptadas à linguagem do veículo e editadas. Ou seja, você ajudará o jornalista a compreender melhor um assunto o qual ele não domina, colaborando para um conteúdo confiável. Por exemplo: se você é veterinário, pode ser entrevistado para uma matéria sobre a importância da castração na diminuição da população de cães abandonados. O texto também terá informações de outras fontes como pessoas que adotaram cães de rua, diretores de ONG’s de animais, entre outros. Esta situação é diferente de quando a conversa com o jornalista será publicada no formato de entrevista, com perguntas e respostas. Ainda assim, muitas coisas poderão ser cortadas por questão de espaço.

 

 

4) Você não vai revisar a matéria antes da sua publicação

É comum pessoas que são entrevistadas e/ou fotografadas quererem ver a matéria antes de ser publicada para revisar ou mesmo aprovar o conteúdo. Isso é contra as políticas dos veículos sérios e não deve ser uma prática costumeira por violar as leis da liberdade de imprensa. Uma matéria jornalística é bem diferente de um anúncio publicitário, onde o anunciante paga pela publicação e deve aprovar seu conteúdo.

 

5) Você não vai ditar o que e como deverá ser publicado

Mais uma vez, o jornalista é livre para usar a informação passada por você da maneira que lhe convier, claro, respeitando a veracidade dos dados passados por você.

 

6) O jornalista não é obrigado a lhe enviar um exemplar

Todo entrevistado gosta de guardar em casa um exemplar da revista ou jornal onde apareceu. Nestes casos, o jornalista não tem a obrigação de enviar a publicação para todas as suas fontes. Imagina se todos os entrevistados de uma edição de jornal diário fizer essa solicitação? Você pode comprar o seu exemplar, não pode?

 

7) Em caso de erro nas informações publicadas, peça uma errata

Em casos não raros, o jornalista pode interpretar as informações passadas por você de forma equivocada. Quando perceber o erro, entre em contato com a redação do veículo e converse com o chefe de redação para esclarecer a situação. Se o erro for confirmado, você pode solicitar que o veículo publique uma Errata (nota assumindo a falha).

 

 

8) Se você falou coisa errada, fica pra próxima

Se, durante a entrevista, você disse alguma coisa incerta, dúbia ou informações baseadas apenas em “achismos”, você corre o risco de ter sua participação na matéria contestada por outros especialistas. Se o jornalista tiver a conversa gravada ou e-mail comprovando que a informação errônea foi, de fato, passado pela fonte, aí não tem como solicitar a Errata que mencionamos acima.

 

9) Sim, existe um serviço para te ajudar no relacionamento com a imprensa

E ele se chama Assessoria de Imprensa. Além de auxiliar profissionais de qualquer área de atuação (executivos, gestores, CEO’s, pesquisadores, empreendedores e especialistas) a se posicionarem da forma mais adequada em entrevistas, elas também estreitam o seu relacionamento com os veículos de comunicação, fazendo com que o cliente apareça mais na mídia que lhe interessa. Este trabalho tem o objetivo de tornar pessoas e empresas relevantes diante da mídia on e offline, positivando sua imagem frente à opinião pública.

 

10) Blog também é mídia

Se algum profissional de mídia se apresentar como blogueiro (e não como jornalista) para solicitar a você informações sobre determinado assunto, atenda-o da mesma maneira. Você pode não ser muito familiarizado com o universo dos blogs e outras mídias digitais, mas milhares de pessoas podem acessar aquele veículo diariamente. Procure se informar sobre o blog e averiguar sua credibilidade. Lá pode estar outro ótimo canal para você expor seu trabalho e seus pontos de vista.

 

Espero que estas dicas tenham sido úteis para você. E boa sorte com sua primeira ou próxima entrevista! 🙂

 

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Francine Micheli

oitudobem@escconteudo.com

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